Crítica: “Ainda Estou Aqui” – Um Filme que se Afoga em sua Própria Ambição
Certos filmes parecem acreditar que apenas a importância do tema que abordam é suficiente para garantir qualidade cinematográfica. Ainda Estou Aqui é um desses casos. A adaptação do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva tenta se estabelecer como um drama poderoso, mas tropeça em sua própria grandiosidade, resultando em uma experiência maçante, arrastada e previsível.
Dramaticidade Exagerada e Roteiro Engessado
Desde os primeiros minutos, o filme já entrega sua abordagem excessivamente teatral. Os diálogos soam artificiais e expositivos, como se cada cena estivesse tentando ensinar uma lição ao público, em vez de contar uma história de forma natural. O drama da protagonista é amplificado de maneira exagerada, tornando-a uma personagem quase unidimensional, sempre presa a um sofrimento ensaiado que, ironicamente, distancia o espectador ao invés de envolvê-lo.
Além disso, o roteiro segue um formato engessado, onde cada acontecimento parece previsível. A estrutura linear e a ausência de nuances na construção da narrativa fazem com que o filme pareça mais uma dramatização acadêmica do que uma obra cinematográfica envolvente.
Direção Sem Criatividade e Ritmo Cansativo
O filme se limita a escolhas visuais burocráticas, sem criatividade na composição das cenas. O uso repetitivo de closes excessivamente dramáticos e de uma trilha sonora que força emoções acaba por criar um efeito contrário ao desejado: ao invés de intensificar a história, torna-a enfadonha.
O filme se arrasta em longas cenas que poderiam ser resolvidas com muito mais concisão. O resultado é uma obra que cansa rapidamente, tornando a experiência de assisti-lo um verdadeiro teste de paciência.
Ainda Estou Aqui: Um Filme que se Leva a Sério Demais, Sem Motivo
No fim, Ainda Estou Aqui se afunda na própria tentativa de ser um grande drama. Falta sutileza, falta envolvimento genuíno e, principalmente, falta uma abordagem que priorize a narrativa e os personagens, e não apenas o tema. Para quem busca um filme realmente envolvente, existem opções muito melhores do que este espetáculo pretensioso e cansativo.
Nota: 3/10
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